A psicóloga especialista em Psicologia da Saúde, Janine Santos Sestari, que atende no Núcleo Central de Saúde da Prefeitura de Jales escreveu um artigo sobre a necessidade do desenvolvimento de estratégias de enfrentamento pessoais para superar o período de isolamento que a quarentena tem exigido para prevenção à COVID-19, o novo Coronavírus.

Atualmente a população vivencia um momento de crise e paralisação. Preocupações, medos, insegurança e ansiedade fazem parte da rotina de muitos brasileiros neste momento. “Precisamos ressaltar a necessidade da conscientização e a importância de ficar em casa. As pessoas precisam continuar seguindo as orientações sobre as medidas de prevenção e proteção: higienização, isolamento social e quarentena, cuidados que são extremamente importantes para conter a disseminação do vírus”, frisou Janine.

A privação de contato social é vivida pelos indivíduos de formas distintas, de acordo com suas experiências e recursos de enfrentamento.  Alguns desfrutam da solitude, enquanto outros sentem o distanciamento e sofrem emocionalmente.

Segundo a psicóloga, os efeitos da quarentena podem intensificar os sintomas emocionais de forma mais intensa em pessoas que sofrem por transtornos de ansiedade generalizada, TOC (Transtorno obsessivo compulsivo), pânico ou depressão.  A desorientação atencional também pode estar presente nessa nova rotina das pessoas, que podem se sentir confusas e menos concentradas.

Para que a saúde mental permaneça em dia, é necessário o desenvolvimento de estratégias de enfrentamento pessoais para superar esse período de isolamento, como por exemplo, reorganização cotidiana, estabelecendo horários para fazer suas tarefas; não pensar somente em atividades produtivas, mas sim restaurativas: leitura, atividades lúdicas, cuidar dos animais e das plantas sem esquecer de fazer pausas ao longo do dia; cuidar da higiene e do corpo; reservar espaço para momentos de relaxamento, meditação, praticar exercício físico, ter um tempo para o autocuidado; buscar informações confiáveis e evitar a compulsão em obter e disseminar notícias; recuperar laços afetivos: mesmo de forma digital, com videochamadas, para a continuidade dos vínculos sociais e familiares.

Para Janine, “devemos nos atentar a não negar a gravidade da pandemia, porém também não nos perdermos junto ao excesso de informações. Caso perceba que os sintomas emocionais estão lhe trazendo sofrimento em excesso, busque ajuda profissional”, orientou a psicóloga.

Mais dicas para lidar com a ansiedade

Saiba que é comum se sentir ansioso em muitas situações cotidianas e quando essa sensação se tornar frequente ao ponto de trazer sofrimento e dificultar tarefas diárias, ela pode se tornar um transtorno. É importante ressaltar que em tempos de crise esses sintomas emocionais tendem a serem mais intensos. Quando essas sensações dominam a mente e “gatilhos” específicos são ativados, podem gerar crise de ansiedade ou ataques de pânico.

Lembre-se, nestes momentos que é importante:

  • DESVIAR A ATENÇÃO DOS SINTOMAS – tente focar uma atividade específica mentalmente, para desviar o foco de sua ansiedade;
  • DIMINUIR O RITMO DA RESPIRAÇÃO – inspirar e expirar lenta e profundamente, fornecendo oxigênio ao cérebro;
  • RELAXAR OS MÚSCULOS DE SEU CORPO – Iniciar um processo de relaxamento muscular. Volte sua atenção aos músculos, relaxando um por vez e siga respirando lentamente;
  • TER UMA DISTRAÇÃO COGNITIVA – aquele turbilhão de pensamentos comum em uma crise gera sobrecarga emocional. Diminuir o ritmo de seus pensamentos, criando distrações externas a ele, como cantar, relembrar uma história interessante, contar de 1 a 10, identificar cores semelhantes a sua volta ou iniciar uma conversa, podem te ajudar a se acalmar. Traga à sua mente uma imagem de um lugar agradável que possa lhe trazer paz e relaxamento.
  • SUPORTE PROFISSIONAL – em muitos casos a intervenção profissional é muito relevante: suporte psicológico (Psicoterapia) e psiquiátrico (tratamento medicamentoso).